FAGUNDES, Léa da Cruz; SATO, Luciane Sayuri; MAÇADA, Débora Laurino. Aprendizes do futuro: as inovações começaram!. São Paulo: Agência Espacial Brasileira, 2006.
* Considerações:
A cultura do projeto surge desde as atividades da vida cotidiana onde traçamos objetivos e metas e entra nas escolas transformando-se em metodologia para a construção do conhecimento.
Aprendizagem ou ensino por projeto, qual a diferença? Quando falamos em ensino, percebemos a centralidade do professor em seu papel principal de tomar as decisões, é sempre o professor que norteia o ensino, escolhe o que o aluno vai aprender. Partindo desta visão, dá-se conta de que nem todo ensino gera aprendizagem, esta é produto da interação do sujeito com o objeto de desejo a ser apreendido. Aprendizado por projeto coloca o sujeito aluno no centro do desenvolvimento, o autor do mesmo. Seus conhecimentos prévios são considerados como passos de uma caminhada para definir seu projeto, ou seja, a busca pelas respostas de suas próprias dúvidas.
Na aprendizagem por projetos, os papéis são invertidos, e o alunos busca saber mais sobre assuntos que considera relevantes. A intensão de resolver seus problemas o leva a direcionar suas atividades. O professor é cooperador desta busca, orientando nas definições de regras, metas, objetivos, no auxílio da construção do conhecimento por parte do aluno.
Para iniciar um projeto para aprender o professor orienta o aluno em relação á suas certezas e dúvidas temporárias: decidem critérios de relevância, buscam informações, investigam as possibilidades e organizam as formas de comunicação do seu aprendizado. Os projetos não são exclusividades para áreas isoladas e podem ser introduzidos desde a pré-escola, a partir do momento em que o aluno é capaz de pensar para expressar suas dúvidas.
O trabalho por projetos, exige da escola um currículo para cada projeto de cada aluno, pois eles são vistos e caracterizados por suas individualidades, é necessário que os alunos possam aprender em tempos e espaços diferentes, uns dos outros. A tecnologia é peça fundamental para estes processos, são as redes constituídas que aproximam a realidade da vida com os espaços de dentro e de fora da escola, assim a escola é em todos os lugares.
Nessa nova perspectiva de aprendizagem, os alunos trazem muitos conhecimentos para a escola, e assim o professor assume diferentes funções:
- Função de ativação da aprendizagem: trabalhar-se para conviver com alegria nas atividades de cooperação; valorizar o respeito, estimulando as particularidades de cada indivíduo em relação ao outro e a si próprio, avaliando cada iniciativa;
- Função de articulação da prática: é o professor que assume para seu grupo (sua turma) o papel de articular as formas de trabalho dos alunos; gerencia as programações de forma a organizar as ações e os recursos para cada momento; possibilitar estímulos para as diversas áreas de interesse dos alunos; interligar os outros professores, os especialistas e os materiais tecnológicos a fim de dar retornos interdisciplinares;
- Função de orientação dos projetos: deve existir afinidade entre orientador e orientandos, esta função exige do professor a capacidade de instigar o aluno á busca do conhecimento, fazer registros de sua caminhada e de seus progressos para a elaboração de feedbacks;
- Função de especialista: esta sempre será uma função do professor, independente de estar em alguma das outras, ele sempre é especialista dentro da sua área de formação, para cada projeto, as especialidades se conversam sendo destinadas para objetivos diferentes.
O aluno aprende construindo seu próprio conhecimento, passando por suas incertezas que estão sempre em reconfiguração e melhora com a evolução do seu processo de assimilação, este conhecimento é produto da atividade intelectual, intencional, interatividade cognitiva, interação, trocas interesses e valores. "A proposta é aprender conteúdos por meio de procedimentos que desenvolvam a própria capacidade de continuar aprendendo." (p. 24) A avaliação deste aluno pode dar-se através de portfólio onde faz seus registros durante o processo da construção do conhecimento em relação ao seu projeto.
Estas mudanças na escola devem ser compartilhadas por todos os seguimentos para que exista flexibilidade dos horários e do currículo, formações específicas e a colaboração no desenvolvimento de cada projeto. Os colegas resistentes precisam ser tocados para que compreendam as vantagens dos trabalhos em projetos e esta decisão de entrar por completo na nova tecnologia precisa ser tomada em equipe para que as ideias se concretizem de forma a contribuir com a aprendizagem dos alunos.

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