- Referência(s):
PAPERT, Seymour. A máquina das crianças: repensando a escola na era da informática. Edição revisada. Porto Alegre: Artmed, 2008.
- Considerações:
Em
seu livro “A Máquina das Crianças”, Papert(2008) nos apresenta, no primeiro
capítulo, alguns questionamentos sobre a tecnologia e a educação. Para começar
o diálogo com o leitor, o autor relembra a intrigante parábola que relata o
fato de que se fossem congelados um professor e um cirurgião, ao despertá-los
após cem anos, o professor não teria grandes dificuldades para retomar seu
posto, com isso nos chama a atenção para o fato de a escola ser uma área que
pouco muda.
Para
discutir o fato das faltas de mudança, Papert apresenta dois grupos com
pensamentos diferentes: de um lado os Schoolers
que aceitam o fato de que as escolas precisam de mudanças, mas não conseguem
ver megamudanças possíveis. Do outro lado os Yeearners que anseiam por mudanças e tentam driblar os problemas
que são visivelmente expostos como barreiras para a concretização das mudanças.
Mas nenhuma de suas intervenções foi capaz de derrubar o sistema de filosofia
da escola do século XIX.
A
escola não muda em cem anos, mas os estudantes sim. Fora da escola eles são fascinados
pela inovação atraente dos videogames e não por ser um brinquedo eletrônico
simples de usar, pelo contrário, essa técnica exige habilidades que os adultos
de hoje não são capazes de atingir com tanta facilidade. Deixar a tecnologia
dos jogos virtuais fora da escola é manter o sistema de ensinar na escola o que
os adultos querem que as crianças saibam e ignorar a forma de aprendizagem
natural dos seres humanos.
Para
mudar a escola a fim de atingir as necessidades das crianças de hoje, que
aprendem com suas experiências formas complexas de domínio do conhecimento,
seria necessário o surgimento de uma Máquina
do Conhecimento onde as mais diversas curiosidades fossem sanadas de forma
a tornar imediatas as respostas das crianças. Uma máquina capaz de auxiliar a
construção de conceitos, onde antes da alfabetização todos já pudessem
descobrir coisas que antes não eram possíveis. Trazendo para hoje: a Internet.
Com
novas formas de ler o mundo, cabe a nós pensarmos na revolução das formas de
comunicação. Por muito tempo, a fala foi a principal forma de comunicação,
transformada significativamente pela leitura de palavras e escrita. Agora, com
as inovações de um mundo digital, precisamos considerar as novas
alfabetizações, ler e compreender, não é só para quem domina as letras.
A
tecnologia muda nossas vidas fora da escola, experimentamos formas diferentes
de passarmos por obstáculos. Precisamos ultrapassar a timidez que pode ter
permitido a falha dos que antes tentaram mudar a educação. O estudante precisar
ser sujeito do processo de aprendizagem e não objeto, as metodologias devem ser
adaptadas para as tendências inovadoras e por fim, a escola precisa estar
aberta para as mudanças.
- Imagem:
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Disponível em: https://eurio.com.br/imagens/770x433/posts/2018/10/ag_31_celulares-nas-escolas-simpson-jpg.jpg. Acesso em: 03 Mar. 2019.
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