terça-feira, 5 de março de 2019

03/03/2019_Yearners e Schoolers

  •  Referência(s):
PAPERT, Seymour. A máquina das crianças: repensando a escola na era da informática. Edição revisada. Porto Alegre: Artmed, 2008.
  •  Considerações:

Em seu livro “A Máquina das Crianças”, Papert(2008) nos apresenta, no primeiro capítulo, alguns questionamentos sobre a tecnologia e a educação. Para começar o diálogo com o leitor, o autor relembra a intrigante parábola que relata o fato de que se fossem congelados um professor e um cirurgião, ao despertá-los após cem anos, o professor não teria grandes dificuldades para retomar seu posto, com isso nos chama a atenção para o fato de a escola ser uma área que pouco muda.

Para discutir o fato das faltas de mudança, Papert apresenta dois grupos com pensamentos diferentes: de um lado os Schoolers que aceitam o fato de que as escolas precisam de mudanças, mas não conseguem ver megamudanças possíveis. Do outro lado os Yeearners que anseiam por mudanças e tentam driblar os problemas que são visivelmente expostos como barreiras para a concretização das mudanças. Mas nenhuma de suas intervenções foi capaz de derrubar o sistema de filosofia da escola do século XIX.

A escola não muda em cem anos, mas os estudantes sim. Fora da escola eles são fascinados pela inovação atraente dos videogames e não por ser um brinquedo eletrônico simples de usar, pelo contrário, essa técnica exige habilidades que os adultos de hoje não são capazes de atingir com tanta facilidade. Deixar a tecnologia dos jogos virtuais fora da escola é manter o sistema de ensinar na escola o que os adultos querem que as crianças saibam e ignorar a forma de aprendizagem natural dos seres humanos.

Para mudar a escola a fim de atingir as necessidades das crianças de hoje, que aprendem com suas experiências formas complexas de domínio do conhecimento, seria necessário o surgimento de uma Máquina do Conhecimento onde as mais diversas curiosidades fossem sanadas de forma a tornar imediatas as respostas das crianças. Uma máquina capaz de auxiliar a construção de conceitos, onde antes da alfabetização todos já pudessem descobrir coisas que antes não eram possíveis. Trazendo para hoje: a Internet.

Com novas formas de ler o mundo, cabe a nós pensarmos na revolução das formas de comunicação. Por muito tempo, a fala foi a principal forma de comunicação, transformada significativamente pela leitura de palavras e escrita. Agora, com as inovações de um mundo digital, precisamos considerar as novas alfabetizações, ler e compreender, não é só para quem domina as letras.

A tecnologia muda nossas vidas fora da escola, experimentamos formas diferentes de passarmos por obstáculos. Precisamos ultrapassar a timidez que pode ter permitido a falha dos que antes tentaram mudar a educação. O estudante precisar ser sujeito do processo de aprendizagem e não objeto, as metodologias devem ser adaptadas para as tendências inovadoras e por fim, a escola precisa estar aberta para as mudanças.


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